Pix mais seguro: entenda as novas regras

 

O pix se tornou parte da rotina de milhões de brasileiros e, para as empresas, passou a ser uma das principais formas de receber pagamentos. A praticidade, a rapidez e a disponibilidade 24 horas por dia facilitaram as vendas, mas também fizeram do Pix um dos meios utilizados em golpes e fraudes.

Por isso, o Banco Central vem implementando novas medidas para aumentar a segurança do sistema.

Entre as principais novidades está o aprimoramento do Mecanismo Especial de Devolução (MED), que passou a permitir um rastreamento mais amplo do caminho percorrido pelo dinheiro em determinadas situações de fraude.

Na prática, isso significa que o dinheiro não precisa simplesmente “sumir” depois que sai da conta que recebeu o Pix originalmente.

Mas o que exatamente mudou? E o que isso significa para as empresas?

O que é o Mecanismo Especial de Devolução (MED)?

O Mecanismo Especial de Devolução (MED) é uma ferramenta criada pelo Banco Central para facilitar a recuperação de valores em casos de fraude, golpe ou crime envolvendo o Pix.

Quando uma pessoa identifica que foi vítima de uma fraude, ela deve entrar em contato com sua instituição financeira e solicitar a devolução. O banco pode então iniciar o procedimento previsto pelo MED.

A instituição que recebeu o dinheiro pode bloquear os valores disponíveis para análise. Se a fraude for confirmada, os recursos podem ser devolvidos à vítima, desde que ainda estejam disponíveis.

O Banco Central orienta que a vítima entre em contato com o banco o mais rapidamente possível, pois a velocidade da comunicação pode aumentar as chances de recuperação.

O que mudou com o aprimoramento do MED?

Uma das principais evoluções é a chamada Recuperação de Valores. Antes, o processo estava muito concentrado na conta que havia recebido diretamente o Pix. Agora, o sistema pode acompanhar o caminho percorrido pelos recursos em transações posteriores. Imagine, por exemplo, que:

Cliente → Conta A → Conta B → Conta C

Se o dinheiro recebido por meio de uma fraude for transferido para outras contas, o novo processo permite rastrear essas movimentações e identificar contas que possam estar envolvidas no desvio dos recursos. O Banco Central chama esse mapeamento de “grafo de rastreamento”. Ele permite identificar transações posteriores e ampliar as possibilidades de bloqueio e recuperação dos valores.

Isso representa um avanço importante no combate às chamadas “contas de passagem” e às estratégias utilizadas para dificultar o rastreamento de dinheiro obtido por meio de golpes.

E o que isso muda para as empresas?

Para uma empresa que recebe dezenas ou centenas de pagamentos por Pix todos os dias, segurança não deve ser tratada como um detalhe. O crescimento das transações digitais também aumenta a importância de manter um controle organizado sobre os recebimentos.

Imagine uma loja que recebe um Pix de R$ 2.000 e, posteriormente, descobre que aquele pagamento estava relacionado a uma fraude. Ter informações organizadas sobre a venda, o pedido, o cliente, o valor e o horário da transação pode facilitar a identificação do que aconteceu e o fornecimento de informações à instituição financeira, quando necessário. Por isso, algumas práticas são fundamentais.

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5 cuidados para aumentar a segurança do Pix na sua empresa

1. Confirme os pagamentos pelo extrato

Não considere apenas um comprovante enviado pelo cliente como confirmação de pagamento. Antes de liberar um produto ou serviço, confira se o valor realmente entrou na conta da empresa. Isso é especialmente importante porque comprovantes podem ser falsificados.

2. Mantenha os registros das vendas organizados

Guarde informações como:

  • data e horário da venda;
  • valor;
  • produto ou serviço adquirido;
  • identificação do pedido;
  • forma de pagamento;
  • dados necessários para relacionar a venda ao respectivo recebimento.

Uma boa organização facilita a conferência e a identificação de inconsistências.

3. Cuidado com pedidos de devolução

Um golpe conhecido envolve alguém afirmar que fez um Pix por engano e pedir que o dinheiro seja enviado para outra conta. O Banco Central recomenda verificar primeiro o extrato. Se realmente houver um Pix recebido por engano, a devolução deve ser feita pela própria funcionalidade de devolução do Pix, para que o dinheiro retorne à conta de origem.

Nunca devolva o valor para uma conta diferente da que realizou o pagamento sem verificar cuidadosamente a situação.

4. Não confunda fraude com desacordo comercial

O MED não funciona como um “chargeback” automático. Uma pessoa não pode simplesmente pedir a devolução de um Pix porque não gostou de um produto ou porque houve um desacordo comercial.

O próprio Banco Central esclarece que situações como atraso na entrega, insatisfação com o produto ou outros conflitos comerciais que não caracterizem fraude não são, por si só, casos para utilização do MED. Por isso, é importante que empresas mantenham seus processos comerciais bem documentados.

5. Invista em organização e tecnologia

Quanto maior o volume de vendas, mais difícil fica controlar tudo manualmente. Um sistema de gestão pode ajudar a centralizar informações de vendas, clientes, produtos, estoque e financeiro, reduzindo a dependência de planilhas e controles espalhados. Além de facilitar a rotina, essa organização cria um histórico das operações que pode ser muito útil quando surge alguma inconsistência.

O Pix está ficando mais seguro?

Sim, mas isso não significa que os golpes vão desaparecer.

O Banco Central vem implementando diferentes mecanismos para aumentar a segurança do Pix. Entre eles estão o autoatendimento do MED, que facilita a contestação de transações, e o aprimoramento do processo de recuperação de valores. Outra medida importante é o compartilhamento de informações relacionadas a usuários identificados em situações de fraude, permitindo que as instituições financeiras aprimorem seus próprios mecanismos de prevenção.

Ainda assim, a segurança depende de uma combinação entre tecnologia, instituições financeiras e atenção dos próprios usuários. Para as empresas, isso significa que não basta apenas oferecer o Pix como forma de pagamento. É necessário também ter processos internos capazes de registrar, conferir e organizar as transações.

Tecnologia e segurança precisam andar juntas

O avanço do Pix mostra uma tendência que já faz parte da realidade dos negócios: quanto mais digital é uma operação, maior é a importância de ter informações organizadas. Uma empresa que controla suas vendas, recebimentos e movimentações financeiras de forma integrada consegue identificar inconsistências com mais facilidade e tomar decisões com mais segurança.

É justamente nesse cenário que um sistema de gestão empresarial deixa de ser apenas uma ferramenta administrativa e passa a fazer parte da estratégia do negócio. A tecnologia ajuda a transformar informações espalhadas em dados organizados e dados organizados ajudam o empresário a ter mais controle.

Conclusão

As novas medidas de segurança do Pix representam um avanço importante no combate às fraudes.

Com o aprimoramento do MED, o rastreamento dos recursos pode ir além da primeira conta que recebeu o dinheiro, aumentando as possibilidades de identificar o caminho percorrido pelos valores e melhorar as chances de recuperação em casos de fraude.

Para as empresas, a principal lição é simples: segurança começa com organização. Conferir pagamentos, registrar vendas, manter informações acessíveis e utilizar ferramentas adequadas de gestão são atitudes que ajudam a reduzir riscos e tornam a operação mais preparada para um mercado cada vez mais digital.

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